Messi encara derrota na final da Copa de 2026 como parte da jornada
Lionel Messi falou sobre a derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026 e disse que o revés faz parte da jornada. Entenda o contexto, os números e o que muda para o craque e para a seleção.
Contexto e importância
Três meses depois da final da Copa do Mundo de 2026, Lionel Messi falou de forma serena sobre a derrota da Argentina para a Espanha. Para o camisa 10, o revés na prorrogação é parte da jornada.
As declarações vieram em Oviedo, na Espanha, onde Messi estava para receber o Prêmio Princesa de Astúrias do esporte. Um cenário curioso: o país que tirou dele o segundo título mundial agora o homenageia.
A fala ganha ainda mais peso porque chega logo depois de Messi encerrar a carreira na seleção, em outubro de 2026. É o capitão fechando, com calma, o capítulo mais doloroso dos últimos anos.
Messi, aos 39 anos, tratou a derrota na final de 2026 como parte natural de uma carreira em que ele próprio diz ter perdido mais do que ganhado.
O que aconteceu
A final foi disputada em 19 de julho de 2026, no MetLife Stadium, nos Estados Unidos. O tempo normal terminou 0 a 0, com a Argentina reduzida a dez jogadores após a expulsão de Enzo Fernández, que levou o segundo amarelo nos minutos finais.
Na prorrogação, Ferran Torres marcou aos 106 minutos e deu à Espanha a vitória por 1 a 0. Foi o golpe final no sonho argentino de conquistar duas Copas seguidas.
Em Oviedo, Messi resumiu o sentimento: "No futebol, ganhar é muito difícil, e é preciso valorizar o caminho, porque só um time pode vencer", segundo o jornal Marca. Ele também lembrou que, no fim das contas, no futebol se perde mais vezes do que se ganha.
Nem o maior campeão da história da Argentina escapa da regra mais dura do futebol: só um levanta a taça.
Impacto na seleção e na competição
A Argentina chegou à decisão como atual campeã e perdeu a chance de repetir um feito raríssimo. Apenas Itália (1934 e 1938) e Brasil (1958 e 1962) venceram duas Copas consecutivas.
Para a Espanha, o título foi o segundo da história. E com roteiro quase idêntico ao de 2010: vitória por 1 a 0 na prorrogação, naquela vez contra a Holanda.
Para os argentinos, a final marca o fim de uma era. Com a despedida de Messi da seleção, a Albiceleste entra em um novo ciclo sem a sua maior referência.
A expulsão de Enzo Fernández no fim do tempo normal obrigou a Argentina a jogar toda a prorrogação com um a menos.
Reação do mundo do futebol
As palavras de Messi tiveram ampla repercussão na imprensa espanhola. Veículos como o Marca e a agência EFE registraram as falas, e a ESPN destacou o tom de aceitação do craque.
O que mais chamou atenção foi a ausência de amargura. Em vez de lamentar a arbitragem ou a expulsão, Messi preferiu falar sobre processo, esforço e perspectiva.
O próprio prêmio diz muito sobre o reconhecimento que Messi tem na Espanha. Foram 20 anos de Barcelona, clube que ele defendeu desde a adolescência e do qual foi capitão.
Histórico relevante
Messi conhece bem a dor de uma final perdida. Em 2014, a Argentina caiu para a Alemanha por 1 a 0, também na prorrogação, no Maracanã.
Depois vieram as Copas Américas de 2015 e 2016, ambas perdidas para o Chile nos pênaltis. Foram três finais seguidas sem título em um intervalo de três anos.
A redenção veio na Copa América de 2021, primeiro grande título de Messi pela seleção, seguido pela Copa do Mundo de 2022 e pela Copa América de 2024.
Em Oviedo, Messi lembrou do pai, Jorge Messi, que morreu em agosto de 2026. Segundo ele, o pai ensinou a pegar a bola e tentar, desse certo ou errado, sem ficar remoendo. Também disse, à EFE, que às vezes conseguiu, às vezes não, mas nunca deixou de tentar ganhar tudo.
Números e estatísticas
Os números de Messi pela Argentina ajudam a dimensionar o tamanho da despedida. Ele deixa a seleção como o grande artilheiro da história do país.
Pela seleção, Messi conquistou uma Copa do Mundo (2022) e duas Copas Américas (2021 e 2024). Disputou seis edições de Mundial, de 2006 a 2026.
As duas finais de Copa perdidas por Messi, em 2014 e 2026, terminaram com o mesmo placar: 1 a 0 na prorrogação.
Do lado espanhol, os dois títulos mundiais da Espanha vieram exatamente assim: 1 a 0, com gol no tempo extra.
O que vem pela frente
Fora da seleção, Messi segue em atividade pelo Inter Miami. Em jogo recente contra o Atlanta, marcou duas vezes e chegou a 25 gols na temporada, segundo a ESPN.
Ele não detalhou planos para o fim da carreira nos clubes. Por enquanto, a rotina continua dentro de campo, agora sem a pressão de defender a Argentina.
Para a seleção, o horizonte é a Copa de 2030, a edição do centenário, que terá jogos de abertura na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Será o primeiro Mundial argentino sem Messi desde 2002.
Opinião do especialista
Há algo de grandioso na forma como Messi lida com a derrota. Quem perdeu três finais seguidas e foi cobrado como poucos aprendeu a separar o resultado da trajetória.
A final de 2026 não apaga 2022. Pelo contrário: chegar a mais uma decisão aos 39 anos, como capitão e referência técnica, mostra a longevidade de um jogador fora da curva.
Messi não precisava da taça de 2026 para provar nada. A frase sobre a jornada é a de quem já entendeu que o legado se mede pela insistência em tentar, não só pelas medalhas. E nesse quesito ninguém fez mais pela Argentina.
Para o torcedor, fica a lição de um gênio que, mesmo derrotado na última grande noite com a seleção, saiu de cabeça erguida. É assim que se fecha um ciclo de lenda.